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Líder CDF – você certamente não vai querer ser um

O acrônimo CDF rotula pessoas que ficam horas sentadas nos bancos das escolas dedicando-se aos estudos em busca de boas notas. Ser CDF significa ter um “crânio-de-ferro”.

Ah vá, você acha que eu não sei o que está pensando? Nós dois sabemos que o significado real é outro não é mesmo?

Brincadeira, o significado é esse mesmo — “cabeça de ferro”, porque se presume que o camarada estuda tanto que, se tivesse um crânio normal, não resistiria e poderia estourar…

Okay; okay, não posso negar que na cultura popular mais “vulgar” CDF significa C… de ferro”. Isso mesmo C** de ferro.

No fim das contas, só tendo mesmo pra suportar tantas horas sentado nos bancos da escola não é mesmo!!!

Peço licença aos CDFs de verdade para pegar emprestado o título e atribuí-lo a um tipo de líder existente nas empresas — caras que pregam a bunda na cadeira e não tiram nem por promessa…

O LÍDER CDF

No recôndito de sua sala com ar condicionado, papeis espalhados pela mesa, computador ligado e um porta retrato contendo uma foto da família — lá está ele — o chefe —,o líder; aquele que manda geral.

O rosto sisudo exibe seriedade e preocupação, o que sugere alguém ocupado — um “resolvedor de problemas” — entre uma e outra reunião, ele mantém sua saga rotineira — responder e-mails, atender telefonemas e apagar incêndios. Ele desconfia que as pessoas não estão compreendendo suas ordens; logo terá que chamar a equipe em sua sala para dar um “esporro”.

Senhoras e senhores apresento-lhes — O LÍDER CDF.

Seu sapato não carregará a poeira do chão da fábrica ou do CD, se o pessoal da repartição quiser vê-lo, que marquem uma hora em sua sala confortável e fresquinha.

Ele não tem tempo para andanças, afinal, a demanda está altíssima não permitindo que ele desvie tempo com outras coisas, salvo, e-mails da diretoria e os relatórios gerenciais mostrando o fiasco trazido pela crise. A coisa está tensa meu velho…

MAS NÃO É O OLHO DO DONO QUE ENGORDA O GADO?

Um líder que passa o dia todo com o bumbum em uma cadeira respondendo à e-mails e explicando a falta de resultados ou os motivos de tantos erros é patético. É muito provável que os motivos por trás de toda essa ocupação seja, efetivamente o distanciamento dos liderados e da operação.

O supracitado aforismo, ao contrário do que possa parecer, fala sobre gestão — o olho do dono engordando o gado; não os braços. O líder não pode ter um perfil centralizador, pelo contrário, deve guiar a equipe; seja fazendo as perguntas corretas que os desafiem a buscar a superação, seja removendo obstáculos, ou seja, proporcionando recursos para que mudanças se concretizem.

Liderar pessoas de dentro de uma sala é perigoso. O time espera do líder muito mais do que ele pensa. Eles escutam o que ele faz, não o que ele diz. É preciso estar junto com a equipe. O líder deve dizer “Siga‐me, vem comigo que eu estou junto com vocês” — um líder participativo que sabe o que está acontecendo, ilumina o caminho da equipe.

PRATIQUE O T.B.C E ENCURTE AS DISTÂNCIAS

Convido você para colocar em prática essa poderosa ferramenta para líderes: o T.B.C — TIRAR A BUNDA DA CADEIRA.

Se o líder estiver presente no dia a dia, em contato que tudo e todos, precisará passar menos tempo ao telefone ou ao e-mail explicando a mazelas corporativas.

Liderar pelo exemplo, escutar a todos, ter habilidades para ensinar e humildade para aprender é poderoso demais. A equipe confia em alguém que respira o mesmo ar que eles, que sente e conhece de perto suas dores e partilha dos mesmos ideais.

No ano passado, em um projeto de consultoria, de revisão de cluster logístico, assumi por três meses uma equipe de nove profissionais. Como líder sempre me coloco como um facilitador — alguém que está ali para melhorar os processos, dar vez e voz aos profissionais, que são quem fazem tudo acontecer.

No fim da primeira semana um integrante do time veio até mim e disse  Achiles, nós vamos sair pra comer uma buchada em um boteco de um amigo de fulano , melhor buchada de São Paulo, você come buchada, gostaria de ir com a gente?

Percebi que se tratava de um teste de fogo, eles queriam saber se eu estava mesmo junto. Respondi de prontidão — vamos nessa ué, pra cima da buchada. E não é que estava muito boa, soei um pouquinho, mas mandei ver.

Nem sempre será necessário participar dos momentos extra empresa, mas quando a situação exigir do líder essa sensibilidade, não titubeie. Não peca por estar junto, mas por distancia-se.

Quer melhorar a gestão e acabar com a necessidade de ter que explicar tanto problema? Distancie-se do estereótipo do líder CDF; não seja um C… de ferro; levante esse bumbum da cadeira e esteja junto ao time.

Até a próxima!

Achiles Rodrigues

Written by: Achiles Rodrigues