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Que atire a primeira pedra quem nunca fez uso de pelo menos um dos muitos clichês sobre liderança: o líder é aquele que gera resultados através de pessoas, o líder tem que ser um servidor, chefe diz vai; líder diz vamos, e daí por diante…

Digite liderança no Google e terá mais de 26 milhões de resultados. Digite líder e encontrará 182 milhões. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e veloz, as relações tornaram-se liquidas (Zygmunt Bauman, sociólogo Polonês). Talvez por isso o clamor e a busca por liderança esteja tão intensa.

Um dia desses, em papo de butiquim, um amigo inconformado com as lideranças com quem trabalha, profere a seguinte pérola: “na empresa onde estou; metade da liderança pensa que é deus e a outra metade tem certeza”

Seria cômico se não fosse trágico não é?! Ou será um exagero? 🙂

Pergunto a você:

Diante de tanta informação, pesquisas, teorias, conceitos, estudos; é possível que essa sensação de falta de liderança seja superficial ou, você que me lê também tem a mesma intuição?

No geral, quando faço essa pergunta as respostas são muito parecidas. A maioria da galera diz que o que se vê, na maioria dos ambientes são líderes se comportando como se fossem infalíveis:

Gentes ensimesmadas, prepotentes, egocêntricas, donos da verdade ─ deuses em seus olimpos, mas com um autorretrato diferente ─ na fotografia de si mesmos, se enxergam bem na foto selfie.

Como explicar tudo isso?

Podemos facilmente recorrer ao mito do herói para explicar o comportamento da liderança moderna (ou de todos os tempos?).

Joseph Campbell é um mitologista estadunidense que escreveu O Herói de Mil Faces, na obra ele traçou padrões nas histórias dos heróis antigos e identificou estes mesmos padrões na história de vida de todo ser humano, de todas as culturas. A estes padrões ele deu o nome de “Jornada do Herói”.

O MITO DO HERÓI

A jornada, ou o mito do herói é um tema periódico em diversas histórias de diferentes culturas desde os tempos mais longínquos. O mito reflete a transição psíquica que fazemos entre uma fase de nossas vidas e a fase seguinte.

Um herói se arrisca a sair da sua zona de conforto para uma região de maravilha sobrenatural: onde forças fabulosas estão lá para ser encontradas e uma vitória decisiva está a ser ganha: o herói volta a partir desta misteriosa aventura com o poder de conceder bênçãos sobre seus companheiros.

O mito pode explicar muito bem o fenômeno psíquico ocorrido com a maior parte dos líderes modernos, que na maioria das vezes foram bons carregadores de piano (pessoa que trabalha muito e que recebe bem tarefas complicadas ou pesadas) e, por sua dedicação e esmero tornaram-se líderes.

Em 98,9% das transições de liderado para líder, não é oferecido treinamento, ajuda psicológica ou coaching ─ programas substanciais para que o futuro líder compreenda seu novo papel e saiba como se comportar na nova posição.

Assim como no mito de Campbell, esses profissionais quando forçados a passar de uma fase psíquica para outra, saindo de sua zona de conforto, de controle e de segurança, assumem uma postura de “semideuses” ─ e, agora, passam a se ver em posição “superior”, local onde poucos iluminados chegam.

Ele está agora no olimpo da liderança sobre outros mortais. Ai, ai, ai, que perigooo!

O BOM LÍDER É AQUELE MAIS HUMANO POSSÍVEL

Eu não quero trazer receitas prontas para empurrar goela abaixo de nenhum candidato à líder. Não acho que tenha a fórmula mágica para isso.

É possível que a jornada do herói seja até positiva para uma construção de alto confiança, encorajamento e desenvolvimento de alto estima da liderança. Talvez. Eu disse: TALVEZ!

A verdade é que gosto de todas as teorias sobre liderança. Seria hipocrisia se negasse isso ─ escrevi sobre todas elas, vá até meu Blog ou Linkedin e encontrará pelo menos cinco ou seis artigos sobre o tema.

Contudo, porém, entretanto, compreendo que para ser um bom líder é vital que sejamos bons humanos.

Gosto do magnífico conselho do psiquiatra e psicanalista Carl Gustav Jung:

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

O líder nada mais é que um facilitador. Nem melhor, nem pior que seus liderados. Um igual em uma posição diferente. Talvez em termos de conhecimento técnico seja até inferior, mas de alma generosa e parceira.

EXPLICANDO OS CLICHÊS

Permita-me explicar porque acho clichês e bobos os termos que iniciei o texto:

O líder é aquele que gera resultados através de pessoas – Entregar resultado através de pessoas dá a impressão de transpassar alguém como a luz transpassa o vidro. Claro que o bom líder deve levar a equipe aos resultados, óbvio. Não existe romantismo no mundo dos negócios ─ ou dá resultado ou está fora. O líder gera o resultado junto com as pessoas e não através delas (só acho).

O líder tem que ser um servidor – Que pressão ser um líder servidor não acha? Nada contra o clássico livro O Monge e o Executivo, pelo contrário, o acho fantástico, mas às vezes muitos líderes se sentem pressionados com a imposição de serem servidores. E na prática não é bem assim, mas concordo que deveria ser mais. Prefiro o líder como um facilitador, alguém que ilumina o caminho.

Chefe diz vai; líder diz vamos – Nem sempre o líder consegue ir junto. Pense em alguém com uma equipe de cem pessoas de variados escalões (o que é bem comum), como ele conseguirá dizer vamos. Em grande parte do tempo ele só apontará a direção mesmo. Claro que a ideia do jargão é incitar a liderança pelo exemplo em não pelo discurso, mas é que esse, como outros clichês já estão meio rotos.

ALGUMAS DICAS DE UM LÍDER EM CONSTRUÇÃO

Há mais de 15 anos (pelo menos) eu lidero , ou melhor, estou há esse tempo em posições de liderança. Errei um tanto, acertei outro tanto, aprendi um TANTÃO, e, ainda aprendo todos os dias estudando bastante, mas muito mais com a prática e observação.

[não quero empurrar goela abaixo nenhuma receita, mas quiça eu consiga te dar algumas pistas a partir de minha vivência como líder e milhares de horas de estudos de caso sobre o tema…]

Faz-se necessário uma reflexão:

Será que você não está se posicionando como um líder que pensa que é deus? Achando que é o herói que salvará a todos?

É possível que goste de todas as teorias sobre liderança, entretanto pratica pouco o autoconhecimento, e, por essas e outras já ganhou a antipatia de seus liderados, mas talvez nem saiba disso, pois, por medo não te dizem a verdade (ninguém quer perder o emprego né)!

Permita-me te dar quatro dicas para você se saia bem na selfie:

  • O mais importante exercício da liderança é o autoconhecimento. Pratique-o incessantemente, em todo tempo, todos os dias. Conheça-te a ti mesmo.
  • Não olhe as pessoas de cima para baixo. Posso assegurar que, apesar de achar que é; você não é deus. Olhe na altura dos olhos e valorize cada humano que tenha contato. Todos tem uma história fantástica.
  • Você não precisa ter todas as respostas, aliás, um grande líder não é conhecido por ter as respostas certas, mas por saber fazer as perguntas certas.
  • Esqueça o que já viu de liderança no Google e pratique a empatia, a escutatória, o acolhimento, a vida como ela é no chão de fábrica, CD, escritório, Ong, ou seja lá onde você exerce liderança.

O bom líder tem cheiro de gente, gosta de gente, é um ser humano!

Até a Próxima!

Written by: Achiles Rodrigues